Sunday, December 04, 2005






CONSIDERAÇÕES SOBRE A CAUSALIDADE ÚLTIMA


O ímpeto de se chegar à Verdade Absoluta, a fonte de toda a existência, tem motivado filósofos, teólogos e outros intelectuais de vários sistemas religiosos desde tempos imemoriais, e isso ainda continua hoje em dia. Contudo, analisando-se desapaixonadamente a sempre crescente pluralidade de ditas filosofias, religiões, processos, estilos de vida etc., nós verificamos que, em quase todos os casos, o objetivo último é algo impessoal ou amorfo. Mas esta idéia de uma Verdade Absoluta impessoal ou amorfa apresenta sérias deficiências lógicas.
De acordo com as regras ordinárias da lógica, um determinado efeito deve, direta ou indiretamente incorporar os atributos ou natureza de sua própria causa. Portanto, aquilo que não tem personalidade ou atividade não pode, de forma alguma, ser a fonte de todas as personalidades e atividades.

Nossa irresistível propensão a filosofar acerca da verdade última freqüentemente expressa-se através de tentativas de descobrir de que, ou de onde, todas as coisas emanam. Este mundo material, que é uma aparentemente ilimitada rede de causas e efeitos que interagem, certamente não é a Verdade Absoluta, visto que a observação científica dos elementos materiais indica que a matéria-prima deste mundo, a energia material, é interminavelmente transformada em diferentes estados e formas. Portanto, um exemplo específico de realidade material não pode ser a fonte última de todas as coisas.

Nós podemos especular que a matéria de uma forma ou de outra, sempre existiu. Esta teoria, contudo, já não é atrativa para os cosmologistas modernos, como os do Instituto de Tecnologia de Massachustts. E mesmo se nós postulamos que a matéria sempre existiu, nós ainda devemos explicar a fonte da consciência, se nós queremos satisfazer nosso ímpeto filosófico com respeito a descobrir a Verdade Absoluta. Embora empiristas fanáticos modernos afirmem que nada é real exceto a matéria, qualquer pessoa experimenta, facilmente, que a consciência não é do mesmo tipo de substância que uma pedra, um lápis ou água. A própria consciência, contrastando com os objetos da consciência, não é uma entidade física, mas antes, um processo de percepção e compreensão. Enquanto existe uma ampla evidência de uma sistemática relação interdependente entre matéria e consciência, não existe qualquer evidência empírica rígida de que a matéria é a causa da consciência. Assim, a teoria de que o mundo material sempre existiu e é, portanto, a Verdade Última, não explica nem cientificamente nem intuitivamente a origem da consciência, que é o mais fundamentalmente real aspecto de nossa existência.
Além disso, como foi demonstrado pelo Dr. Richard Thompson da Universidade do Estado de Nova York, em Binghamton, e confirmado por vários laureados pelo prêmio Nobel, que elogiaram seu trabalho, as leis da natureza, governando as transformações da matéria, simplesmente não contém informações suficientemente complexas para responder pela inconcebível complexidade de eventos que acontecem dentro de nossos próprios corpos e de outras formas de vida. Em outras palavras, as leis da natureza material não somente falham em responder pela existência da consciência, mas não podem explicar, inclusive, a interação dos elementos materiais em níveis orgânicos complexos. Mesmo Sócrates, o primeiro grande filósofo ocidental, era avesso à tentativa de estabelecer a causalidade última em termos de princípios mecanicistas.
O calor e a luminosidade dos raios do Sol demonstram, para a satisfação de qualquer homem racional, que o Sol, a fonte de todos os raios, não é, certamente, um globo escuro e frio, mas antes, um reservatório de quase ilimitado calor e luz. De modo semelhante, os inumeráveis exemplos de personalidade e consciência pessoal dentro da criação são mais do que suficientes para demonstrar a existência, em algum lugar, de um ilimitado reservatório de consciência e comportamento pessoal. No seu diálogo Philibus, o filósofo grego Platão argumente que, tal como os elementos materiais em nosso corpo são provenientes de um vasto reservatório de elementos materiais existentes dentro do universo, nossa inteligência racional é, também, derivada de uma grande inteligência cósmica existente dentro do universo, e esta inteligência suprema é Deus, o Criador. Infelizmente, em Kali-Yuga, muitos pensadores importantes não podem entender isto e, ao invés de aceitar isto, negam que a Verdade Absoluta, a origem consciência pessoal, tenha consciência e personalidade. Isso é tão aceitável como dizer que o sol é frio e escuro.
Na Kali-Yuga, muitas pessoas apresentam argumentos baratos e estereotipados, tais como “se deus tivesse um corpo ou personalidade, Ele seria limitado”. Nessa inadequada tentativa de lógica, um termo qualificador é apresentado falsamente num sentido universal. O que realmente deveria ser dito é: “se Deus tivesse um corpo material tal como aqueles que nós temos experimentado, Ele seria limitado”. Mas nós omitimos o adjetivo qualificativo material e fazemos uma afirmação pseudo-universal, como se entendêssemos o seu alcance completo, dentro da realidade total de corpos e personalidades.
O Bhagavad-gita, o Srimad-Bhagavatam e outros textos védicos ensinam que a forma e personalidade transcendentais da Verdade Absoluta são ilimitadas.
É evidente que, para ser verdadeiramente infinito, Deus deve ser não só quantitativa, mas também qualitativamente, infinito. Infelizmente, em nossa era mecanicista e industrial, nós temos a tendência de definir infinidade somente em seu sentido quantitativo, e assim falhamos em considerar que uma infinidade de qualidades pessoais é um aspecto exigido para se definir a infinidade. Em outras palavras, Deus deve ter infinita beleza, infinita riqueza, infinita inteligência, infinito humor, infinita bondade, infinita ira etc.
O infinito é um absoluto, mas se alguma coisa que nós observamos neste mundo não está contida, de uma forma ou de outra, dentro de nossa concepção de Absoluto, então esta concepção é algo limitada e não é, de modo algum, o Absoluto.

Somente em Kali-Yuga existem filósofos suficientemente tolos para orgulhosamente definir o mais absoluto dos termos – Deus – de forma materialista e em seguida, declararem-se pensadores iluminados.

Não importa quão grande nosso cérebro seja, nós devemos ter o bom senso de colocá-lo aos pés da Suprema Personalidade de Deus.
A Diferença Entre o Corpo e a Alma
Primeiro a pessoa deve compreender a diferença entre o corpo e a alma. Aprender a diferenciar entre material e espiritual, entre temporário e eterno. Sem esse conhecimento ninguém pode ser considerado sábio. Obviamente nós não somos o corpo. Se pensarmos bem, ficará claro que não podemos ser o corpo. Mesmo nesta vida, temos experiência da transmigração da alma.
Krishna dá o exemplo, no Bhagavad-gita (2.13), de uma pessoa, uma alma consciente, que está persistindo através de diferentes etapas corpóreas (infância, juventude e velhice). O corpo que temos agora não é o mesmo que tínhamos há dez anos atrás. Esse corpo já não existe fisicamente. Acabou, está em outro lugar. Os elementos que constituíam meu corpo já não existem. Agora tenho outro corpo. E, simplificando, os assim chamados bebês deste mundo não são bebês. Eles têm um corpo infantil, mas dentro do corpo existe a alma eterna. E a manifestação prática dessa alma é a consciência.

Somos conscientes porque somos a alma. Consciência não é um elemento físico. Essa consciência é originalmente pura, limpa e transparente, quase que onisciente, por ser parte de Deus. Mas, nesta existência material, a alma é colocada dentro de um corpo e a consciência está sendo filtrada pela tela do corpo.

Por exemplo: quando uma luz branca é filtrada por um vidro verde obtemos externamente luz verde. Se colocamos um filtro vermelho, obtemos luz vermelha. Isto significa que, quando filtrada, a luz adquire as características do filtro. Algo assim também acontece com a consciência. Consciência é como luz. Quando a consciência se manifesta através de um corpo animal, temos consciência animal. A alma, dentro do corpo, começa a latir com muito ânimo. Quando tinha um corpo de bebezinho, você agia como um bebezinho. Com um corpo infantil você manifesta consciência e ações de criança. A mesma coisa acontece num corpo de velho, apesar da alma ser exatamente a mesma. Todos podem entender que somos a alma.

Qualquer pessoa sã pode compreender que existe uma alma dentro do corpo e como o corpo está modificando a consciência da alma pura. Conseguindo isolar na mente a existência da alma, afastando-a de toda influência material, e deixando-a brilhar com sua própria consciência, em sua condição original, atinge-se o estado de auto-realização.

Fora desse estado podemos ver quantas designações erradas derivam do corpo - brasileiro, homem, mulher, velho, jovem, inglês, argentino, libanês, sírio - criando, inclusive, sociedades, clubes, guerras, tudo baseado em conceitos que derivam deste corpo que não somos.
VIAJANDO DE UM CORPO A OUTRO
Sem aceitar o fato de que a alma é diferente do corpo não pode existir vida espiritual. Se a alma morresse juntamente com o corpo físico, não haveria tal coisa como vida espiritual ou Deus. Não haveria possibilidade de avanço.

O fato de uma alma transmigrar, viajando de um corpo para outro, foi um conceito aceito pelos primeiros cristãos e posteriormente esta filosofia foi retomada pelos albingenses do sul da França, e, antes disso, Platão e Sócrates já haviam aceito esta mesma idéia.

Isto indica que, apesar das restrições e dos esforços para reprimi-la, esta é uma idéia que está sempre reaparecendo no ocidente. A afirmação de que existe uma alma eterna viajando através de diferentes corpos é algo conhecido e geralmente aceito no oriente. Esse conceito dá lugar a uma filosofia puramente espiritual, porque, de outra maneira, não poderíamos explicar como, apesar de existir um Deus todo poderoso e bom, ainda assim existe sofrimento.
RESPOSTA A MUITAS PERGUNTAS
Como é que, apesar de existir um Deus todo poderoso e bom, ainda exista sofrimento? Esta pergunta nunca foi respondida filosoficamente no ocidente. Se aceitamos que a alma foi criada agora, juntamente com este corpo, por que Deus dá um corpo feio para alguém e um belo e educado para outro? Por que alguém nasce forte e outro fraco? Por que Ele faz que alguém nasça num país ateu?

Aceitar este fato da reencarnação, da ação do karma, oferece a possibilidade de lidar filosoficamente come estes problemas dos sofrimentos dos homens, apesar de Deus ser todo poderoso e bom. Aceitando que a alma tem outras vidas podemos, então, entender melhor que o sofrimento é devido às nossas atividades prévias. Ninguém reclama quando é castigado justamente. Inclusive existe um certo sentimento de satisfação ao ver o triunfo da lei, da justiça. A filosofia de que a alma é criada e destruída juntamente com o corpo deixa muitas perguntas sem resposta. Porque Deus permite que o mundo sofra?

Mas isto não é um segredo. Estamos sofrendo a reação de nossos próprios pecados. Há um best-seller nos Estados Unidos, escrito por um rabino de Boston, que conta a história de seu filho que sofre de uma doença pela qual uma pessoa envelhece rapidamente. Assim, um jovem de quinze anos morre como um ancião. Esse rabino ficou completamente chocado e não conseguiu manter nem justificar sua fé em Deus. E assim escreveu, em seu livro, que existem duas possibilidades:

"Que Deus seja bom, mas não todo poderoso, e assim, apesar de Sua bondade, o controle do sofrimento e da dor estariam fora de Seu alcance; ou, pelo contrário, que Deus seja todo poderoso e não bom, e, dessa maneira, Ele seria como que indiferente e abandonaria cruelmente Sua criação." E diz que prefere pensar que Deus é bom e não todo poderoso.

Mas isso é apenas o resultado de não entender a reencarnação da alma, de como estamos sofrendo ou desfrutando, de acordo com nossas atividades prévias. Aceitar a reencarnação explica muitas coisas, dá soluções claras, filosóficas, porque propõe a existência de duas coisas, uma alma e um corpo físico, que são bem diferentes em sua natureza; que existe interações entre eles, criando, assim, categorias bem definidas. Por outro lado, não existe, na ciência material, conhecimento que possa contradizer estes fatos.

A Filosofia e a Verdade

Trecho de uma palestra de Srila Acharyadeva realizada no Brasil

Primeiro, podemos falar algumas palavras sobre a filosofia em geral. A filosofia deve descrever sistematicamente a verdade. Então, a filosofia que descreve bem a verdade como ela é, realmente deve ser sempre atual. Agora, podemos observar que deve ser sempre uma coisa atualizada, porque a realidade num sentido, não muda. Podemos observar dois aspectos do que chamamos de realidade.

Um aspecto podemos chamar, no sentido literal, de superficial no sentido de que este aspecto encontra-se na superfície da realidade. Por exemplo, podemos dizer que esse prédio, ou essa Universidade, a forma precisa dessa Universidade é superficial. No sentido que não existe antes e também no futuro não existirá. Assim como, por exemplo, meu corpo, o seu corpo não existia no passado e também não existirá no futuro.

Por isso, as coisas que são passageiras, as coisas que começam a existir em certo momento e depois param de existir, podemos chamar de superficiais. E ao contrário, podemos dizer que aquilo que sempre existe é uma verdade mais profunda. Por exemplo, podemos dizer que, embora este prédio seja passageiro, as leis físicas que governam a existência desse prédio, por exemplo, as leis que obedecem a engenharia, as leis que determinam a engenharia, aquelas leis têm uma existência muito mais extensa que o próprio prédio.

Se nós supomos que as leis fundamentais da natureza física têm uma existência muito antiga e que não mudam sempre, por exemplo, a lei da gravidade ou qualquer outra lei física, então podemos dizer que aquelas leis são bem mais permanentes que a existência passageira de por exemplo, um prédio que existe talvez por 100 ou 50 anos. Agora também poderíamos dizer que as leis físicas também têm uma certa relatividade, como alegou o cientista Einstein. E de várias maneiras, podemos dizer que as próprias leis materiais são passageiras, embora elas sejam mais permanentes que os frutos do produto delas. Bom, não queria ser técnico demais porém, existe diferentes níveis de realidade.

Como acabo de explicar que, um nível seria uma coisa que existe por pouco tempo, como este prédio e outra coisa seria mais permanente como por exemplo, as leis da natureza.

Agora, segundo o
Bhagavad-gita o texto mais básico da nossa cultura Vaishnava, dentro deste Bhagavad-gita, o texto mundialmente conhecido, nós encontramos esta declaração que vou citar para vocês em sânscrito para que tenham alguma idéia dessa língua antiga.

nasato vidyate bhavo
nabhavo vidyate satah
ubhayor api drsto ntas
tv anayos tattva-darsibhih

Neste texto do Gita o
Senhor Krishna diz que as coisas que são asat que não têm existência eterna, ou permanente, no sentido pleno da palavra, as coisas passageiras nunca alcançam uma existência completa e também "nabhavo vidyate satah", aqueles elementos ou aqueles ritos ontológicos que existem sempre nunca perdem sua existência. E Krishna diz ainda que "ubhayor api drsto ntas tv anayos tattvadarsi bhih" os que são videntes da verdade, freqüentemente nas escrituras védicas nós encontramos este tipo de linguagem, vidente da verdade, porque a verdade é uma coisa que realmente você pode ver e não simplesmente especular sobre ela.

Porém, Krishna diz que os videntes da verdade, aqueles que estão vendo a verdade, dizem ou concluem que a finalidade da filosofia, ou a finalidade do conhecimento é exatamente reconhecer essa diferença entre aquilo que é passageiro e aquilo que é permanente ou eterno. Por isso, como falei no início dessa palestra que uma filosofia real deve ser sempre uma filosofia atualizada. Porque, em última instância a tarefa da filosofia é de descrever a verdade absoluta. Absoluta quer dizer uma verdade que é sempre verdade. Por exemplo, agora podemos dizer que é uma verdade que esta Universidade existe no estado de Pernambuco. Porém, no passado, nem Pernambuco nem esta escola existiam e, no futuro, não existirão.

Uma verdade que é sempre verdade tem um estado, uma posição, superior àquilo que existe por um tempo passageiro.

Isolamento em Consciência de Krishna

artigo originalmente apresentado na Graduate Theological Union, Berkeley, Califórnia

Em seu artigo, "Psicologia da Conversão", o professor Lewis Rambo (*) apresenta um modelo do estágio heurístico no processo de conversão religiosa. Ele mostra um bom quadro das atuais considerações científico-sociais sobre a experiência de conversão, escritas por eruditos e estudiosos interessados no assunto. Segundo este modelo, o primeiro estágio é "contestar". E, nesse caso, discute-se muito o "isolamento", aspecto polêmico do treinamento religioso. Exploraremos rapidamente esta questão para ilustrar os diversos modelos nos quais a ciência social e a religião podem considerar o mesmo fenômeno a partir de diferentes perspectivas. Uma análise similar pode ser feita para outras categorias deste modelo, mas limitaremos nossa discussão ao isolamento.
Comunidades religiosas tipicamente monoteístas ensinam que todos nós podemos experimentar nossa verdadeira natureza, identidade e função, através do serviço amoroso a Deus. A sociedade moderna, entretanto, está mais para o "eu-centrado" do que para "Deus-centrado", para a autogratificação do que para o auto-sacrifício. Então muitos instrutores religiosos tentam proteger ou afastar seus estudantes do que eles percebem ser influência corrompível no envolvimento sócio-sensorial. O que tem provocado críticas, segundo o professor Rambo.
"Muita gente acredita que alguns grupos religiosos deliberadamente se isolam do mundo em geral, e os novos convertidos, por sua vez, tornam-se submissos aos desejos desses grupos, que se consideram em especial relacionamento com o divino".
Na tentativa de tornar compreensível o tema "isolamento", no que se refere ao Movimento da Consciência de Krishna (
ISKCON), levantamos três argumentações:
1 - o isolamento não é exclusividade dos movimentos religiosos, como a ISKCON, mas é realmente um fenômeno social;
2 - a sociedade sempre tenta isolar seus membros da ISKCON;
3 - a linguagem e os assuntos da ciência social sempre refletem uma inclinação anti-religiosa que sublinha muitos dos ataques ao Movimento da Consciência de Krishna.
Isolar alguém, num contexto social, significa deixar uma pessoa aparte ou solitária, afastá-la de certos convívios. Existem alguns exemplos comuns de isolamento, como os americanos que trabalham em países subdesenvolvidos, vivendo em restritas comunidades americanas, com clubes, lojas e facilidades recreativas. As escolas americanas no estrangeiro têm a finalidade de evitar excessivo contato de suas crianças com a cultura local, ou "população nativa".
Hoje em dia, há uma freqüente busca por segurança e isolamento social, atrás de reforçados portões de condomínios privados. Os eruditos tradicionalmente isolam seus conhecimentos com os altos muros da linguagem técnica e da metodologia sofisticada, tornando-se virtualmente inacessíveis, se não ininteligíveis, para as pessoas em geral. Mães e pais esforçam-se para isolar seus filhos das influências corrompíveis do mundo. O nacionalismo cria uma identidade nacional distinta, isolando os cidadãos de identificação mais ampla com pessoas de outras nações. Certos filósofos e teólogos isolam a espécie humana do resto da natureza, desencorajando, assim, maior empatia com outras formas de vida e espécies.
Como um meio de organizar sociedade e cultura, o isolamento é virtualmente um fenômeno universal. Deveras, os mecanismos de isolamento são desenvolvidos
rotineiramente e de maneira quase inconsciente. Eruditos citam com freqüência casos de grupos numericamente menores - "micro contexto" - que neutralizam a influência de grupos numericamente maiores - "macro contexto" - isolando seus membros do mundo em geral.
É interessante notar, contudo, os muitos casos de grupos numericamente maiores que procuram impor seus valores através do isolamento de pessoas de uma influência micro contextual incomum. Poderosas forças sociais, tais como a mídia, policias, legisladores e desprogramadores, sempre tentam desencorajar quem queira fazer parte de minorias religiosas, como o Movimento da Consciência de Krishna, através de mídia tendenciosa, hostilizações legais e restrições da liberdade de expressão que frustram os fóruns abertos.
No curso de nosso trabalho missionário, temos observado pessoalmente muitos casos do gênero, dos quais podemos mencionar alguns. Na Rússia, pessoas foram presas, torturadas e eventualmente mortas pelo crime de praticar Consciência de Krishna. A comunidade internacional as reconheceu abertamente como prisioneiras de consciência.
Na Grécia, jovens membros do Movimento da Consciência de Krishna têm sido regularmente objeto de esmagadora repressão por parte da família, imprensa e governo. O que torna para eles quase impossível a prática da Consciência de Krishna.
Na Argentina, a ditadura militar neo-facista, que exercia o poder em 1977, perseguiu e baniu o Movimento Hare Krishna, juntamente com outras denominações minoritárias.
Na Ilha de Bali, castas de brahmanas hinduístas temiam a perda das reverências e dos prestígios sacerdotais. Portanto conspiraram com o governo muçulmano para banir o Movimentoto Hare Krishna da Indonésia.
Nos Estados Unidos, desprogramadores contratados raptavam membros do Movimento da Consciência de Krishna. Em cativeiro, sujeitavam-nos a abusos físicos e mentais, até que negassem seus pontos de vistas religiosos ou escapassem.
Mesmo que a ISKCON tenha o poder de fazer guerra adversa, os recursos legais e de mídia são sempre tão caros, que uma vitória pirrônica (* relativo a filosofia de Pirron) acaba sendo arquivada. Deveras, nos Estados Unidos, quem se opõem à Consciência de Krishna têm abertamente articulado uma política de hostilização a ISKCON, através de caras batalhas jurídicas
Os exemplos acima ilustram como um grupo social maior pode procurar isolar seus membros da influência do Movimento da Consciência de Krishna. Mas este fato é normalmente negligenciado ou talvez despercebido, pelos tradicionais estudiosos científico-sociais de movimentos religiosos, especialmente quando os movimentos religiosos são vistos como novos, estranhos e intensos.
Professor Rambo afirma que "eruditos necessitam reconhecer os mais súbitos valores inerentes em seus modelos teóricos e recursos analíticos. Por exemplo, se um psicólogo está tentando avaliar as consequências na saúde mental dos convertidos, eles reconhecem os valores culturais que constituem seus modelos de saúde mental? Eles reconhecem como seus modelos podem ser diferentemente constituídos em outras culturas?
Vamos dar um exemplo concreto de "valores culturais que moldam" o trabalho de cientistas sociais. Aqueles envolvidos em estudos acadêmicos sobre religião sempre se referem a doutrinas religiosas como "sistema de crenças", "estórias" e "mitos". Eles falam sobre pessoas engajadas na "construção mundial" no sentido de "criar significado e propósito na vida". Claramente um ponto de vista espiritual normal poderia ser esse significado e propósito de existir na vida. Nós os descobrimos. Nós não os criamos, assim como nós não criamos a realidade fundamental do mundo físico. E embora os acadêmicos recentemente tenham reformulado o conceito de mito, preserva-se um inquietante senso de lenda fabricada, se bem que uma instrutiva e edificante lenda. De fato nós temos que manter bem em mente que embora certos termos, tais como "sistema de crença", "estórias", "mitos", "construção mundial" etc. são usados de maneiras especiais na ciência social, essas palavras são claramente temperadas para alguma categoria (social) por seu emprego ordinário, não técnico. Então a frase "isolar...do vasto mundo" pode ser extremamente enganadora, desde que nos faça sentir que as pessoas isoladas são confinadas a um "mundo mais estreito" e por este motivo sejam existencialmente debilitadas. Chamar a sociedade materialista de "vasto mundo" é, em um sentido, tão absurdo quanto chamar o interior da caverna do Plato de "vasto mundo" baseado na intensidade numérica dos habitantes da caverna, em contraste para aqueles que escaparam da caverna escura pela luz do absoluto. Na verdade, uma sociedade materialista, especialmente as nossas de hoje, pareceria ela mesma ser perigosamente isolada de uma maior e mais significativa realidade espiritual.
Cientistas sociais sempre respondem que eles não podem endossar ou validar uma doutrina espiritual particular, e portanto eles têm recurso para uma linguagem neutra ou objetiva. E ainda, embora nós possamos concordar que a discussão imparcial de religião requeira uma linguagem neutra, objetiva, a atual terminologia científico-social não pode provê-la totalmente. Significativas discussões de religião, mesmo do ponto de vista científico-social, poderiam ser grandemente realçados pela linguagem que seja mais verdadeiramente neutra e objetiva.
Os limites da ciência social que se aproximam da realidade espiritual são claramente afirmados pelo Professor Rambo em suas discussões de um ramos da ciência social, Psicologia: "Psicologia científica é uma disciplina humana que pode apenas tentar usar teorias para entender um fenômeno que está além do alcance da compreensão humana". Ciências mundanas buscam conhecimento que concede poder humano independente sobre a natureza. O ponto de vista da Consciência de Krishna, contudo, é que nossa perfeição como seres viventes situa-se em nossa submissão ao supremo controlador, e que o mais alto conhecimento é eminente da rendição espiritual. Não é de surpreender, portanto, que a psicanálise e o comportamentalismo tendam estar em divergência com a Consciência de Krishna. Não há tanto um problema de princípio experimental divergente, ou princípio versos fé, como há um simples conflito no panorama mundial, em pontos de partida axiomáticos.
O Movimento da Consciência de Krishna desafia e fortemente critica os valores materialistas. Isto pode ferir e irar pessoas que anteriormente mantinham importantes ou autoritárias posições nas vidas dos convertidos, e quem parece estar diretamente e indiretamente exposto e desacreditado pela forte filosofia espiritual do Movimento da Consciência de Krishna.
Devotos da Consciência de Krishna esforçam-se por pureza numa era reconhecida de materialista. Naturalmente algumas pessoas interpretam isso como uma forma de isolamento doentio (mórbido). Subjacente a este ponto de vista, nós poderíamos argumentar, está a convicção materialista de que há pouco de substância na vida espiritual. Real satisfação advém de sensações físicas. Relacionamentos reais ocorrem neste mundo entre amigos, em família e entre parceiros sexuais. Deus é remoto, vago, e experimental, visto que as coisas neste mundo são vivas (resplandescentes), imediatas e reais. Esta filosofia sempre destaca o receio de que o disciplinado, devotado estilo de vida da Consciência de Krishna seja doentio e errado.

É interessante notar que em sociedades menos materialistas, devotos da Consciência de Krishna tendem a ter uma relação mais descontraído e cativante com o "vasto mundo". Por exemplo, em muitos países asiáticos, devotos movimentam-se livremente na sociedade circundante, sem medo do escárnio constante, raptos ou abusos físicos. As mesmas vestes que provocam zombaria num lugar, são altamente reverenciadas em outras terras como a roupa de um santo sacerdote.
Em muitas maneiras, a própria tendência da sociedade parece ter-se envolvido num tipo de culto bizarro, um culto no qual pessoas vertem bajulação e idolatria em vício de drogas, adultério, jogos de azar e matadores de animais que possibilitam desfrute de um talento materialmente gratificante. Semelhante idolatria é excessiva naqueles que, de uma maneira ou de outra, acumulam fortunas e poder efêmeros.
Nós poderíamos recordar que o mundo não é mau para uma pessoa consciente de Krishna. A ontologia do Bhagavad-gita claramente identifica o cosmos físico como uma divina emanação de Deus. Sem dúvida, nosso mal uso deste mundo que é errado. Quando a criação de Deus está ocupada em Seu serviço amoroso até a matéria recupera, ou resgata, sua qualidade espiritual. Deste modo, um devoto de Krishna busca estabelecer um relacionamento positivo com todos que existem, vendo todas as coisas em relação a Krishna. Uma clara apreensão desta ontologia antiga é crucial para uma justa compreensão da questão do "isolamento" como ela ocorre no Movimento da Consciência de Krishna.
O isolamento torna necessário a renúncia daquilo do qual alguém busca isolar-se. A procura por uma clara definição de renúncia é um tema central no
Bhagavad-gita.
Arjuna, o discípulo de Deus, quer livrar-se de seus deveres mundanos (temporais), ao passo que Krishna repetidamente lembra-o que a real renúncia significa o cumprimento do dever de alguém, mas sem o desejo pelo fruto da ação. É nossa cobiça e desejo pelo fruto de nosso trabalho, e não do trabalho em si, que nós precisamos renunciar. O Supremo Senhor é o desfrutador do fruto, e nós devemos trabalhar para Sua satisfação. Trabalho para a satisfação é chamado yajna, ou "sacrifício". Por conseguinte as coisas deste mundo podem ser comprometidas no serviço a Deus e, no processo, espiritualizada. Nossa casa pode ser um lugar de ordinária gratificação, ou pode ser consagrada como um templo de Deus. Similarmente, a comida que nós comemos pode ser oferecida a Deus, nós santificamos nossa existência. Sem oferecer nossa comida em sacrifício, o Gita explica, nós estamos comendo somente pecado.
O Movimento da Consciência de Krishna ensina, na autoridade do Bhagavad-gita, que todas nossas atividades poderiam ser executadas como sacrifício ao Supremo Senhor. Trabalho em sacrifício a Krishna está livre de reações, ou enredamento nas leis materiais de karma que obriga-nos a repetidamente aceitar as misérias do nascimento, velhice e morte.
O Movimento da Consciência de Krishna não requer isolamento do mundo, por si, mas está certo que todas nossas atividades são realizadas como serviço amoroso para o Supremo Senhor. Desde que o Senhor é o criador e proprietário de todas as coisas, servi-lo é uma verdadeira lógica ou responsabilidade racional para este mundo.
Um devoto de Krishna satisfaz seus sentidos com o serviço ao Senhor. Tal como nós alimentamos uma árvore molhando suas raízes, nós podemos similarmente satisfazer a alma individual através da satisfação ao Supremo Senhor, que é a fonte da existência da alma.
Quando uma sociedade inteira é absorvida na gratificação dos sentidos, a sociedade torna-se uma fonte de poluição para a alma pura. Uma sociedade dedicada ao serviço amoroso por Deus poderia ser um sublime ambiente para os devotos do Senhor. O mundo não é necessariamente mau, nós apenas o colocamos nessa maneira. E ainda, como devoto do Senhor avança em sua compreensão espiritual, ele aprende a voltar o mundo mas, mesmo assim, em direção ao serviço ao Senhor. Houve muitos santos Vaishnavas que ativamente se ocuparam neste mundo sem comprometer suas purezas espirituais. Portanto no estágio avançado da consciência de Krishna, os mesmos objetivos materiais que uma vez ameaçou a nascente compreensão espiritual, agora aparecem como uma promissora intimação e oportunidade para transformar um mundo mundano num reino divino.
“Fazendo um Compromisso com Deus”
As impurezas estavam lá. Prabhupada dá o exemplo no quarto canto do Bhagavatam que uma criança antes de puberdade não sente luxuria. Isto não quer dizer que a luxuria não está lá de uma vida anterior, só que corpo ainda não está maduro. Então quando somos praticantes noviços Krsna nos dá um bom começo. Nos permite ficar firmemente fixos em serviço devocional. Mas as impurezas depois borbulham para a superfície, mas sempre estiveram ali. Então não é que se em um ponto particular de nossas vidas estamos lutando com impurezas com as quais não lutamos anteriormente, isto não quer dizer que estamos voltando para trás, na realidade estamos indo para frente. E o sintoma que estamos avançando é que Krsna agora está puxando para fora essas coisas e permitindo que nós realmente lutemos com elas porque estamos mais maduros. E se ele tivesse puxando estas coisas para fora mais cedo quem sabe onde estaríamos agora ?

Provavelmente não estaríamos aqui neste programa. Então o fato que uma pessoa esteja realmente lutando em um ponto particular de sua vida não quer dizer que a pessoa esteja retrocedendo. Num sentido, num sentido superior, não quer dizer que alguém esteja caindo, é na realidade tudo progresso. Só quer dizer que estamos num estagio em nossa vida na qual podemos realmente encarar esta coisa toda e lutar com ela, e às vezes tombamos e deslizamos na lama e votamos a ficar de pé.

Mas ainda assim é tudo progresso. Então parece ser para mim que tem de haver, primeiro de tudo: aqueles que estão sinceramente seguindo Prabhupada. Antes de mais nada aqueles que após tudo que tem acontecido, após toda a água que rolou por debaixo da ponte, e assim por diante. Aqueles que são estritamente fieis a Prabhupada. No sentido de que em seu coração você compreende que Prabhupada é sua maior autoridade e que você aceitará outras autoridades se, e de acordo com o grau no qual, elas concordam com Prabhupada. Se esta é sua posição você é, neste sentido, um seguidor puro de Prabhupada. Porque dentro de seu coração você manteve uma dedicação pura a Prabhupada, que não está misturada com outras idéias. Então creio que aqueles que são neste sentido seguidores puros de Prabhupada, o que quer que esteja acontecendo externamente. Isto é na verdade o que o verso diz não é?

Om apavitra pavitro va : quer sua posição seja pura ou impura. sarva va astang ...e não importa em que situação você possa estar, não importa quais sejam as suas circunstâncias. O quão não comum possa ser nossa situação externa. Como é mesmo o verso.. gato pi va yac smare pundarikaks ....se você se lembrar da Suprema Personalidade de Deus de olhos de lotus... subhai abhyantara sucih, você de fato se torna limpo interna e externamente Sri Visnu.

Então este verso que diz: sarva va astang gato pi vah , não importa em que situação você possa se encontrar. Se você realmente se lembrar de Krsna. Quem Ele realmente é. E quem é Seu devoto puro. Você se torna limpo. Significativamente Prabhupada escolheu recitar este verso por ocasião de nossa iniciação. Foi em nossa iniciação que Prabhupada recitava este verso. Certamente ciente que, vocês sabem, teríamos nossas ‘aventuras’ após tomarmos nossa iniciação. Então há um sentido no qual, um sentido importante, que para este movimento realmente florescer. Que para os devotos florescerem, para construir a grande sociedade espiritual que Prabhupada queria. Quero dizer LBJ deu seu melhor tiro na grande sociedade. Mas para ser grande uma sociedade tem de ser espiritual e consciente de Krsna. Mas para construir esta grande sociedade espiritual temos de ser entusiastas. Temos de estar felizes com nossas vidas.

Se estivemos cantando Hare Krsna por todos estes anos e pensamos : “Sabe, sou caído, pois é. Sou isto, sou aquilo” Isto não vai nos dar o que é preciso. Me parece ser que, sem artificialmente nos envolver em um banho de entusiasmo, me parece ser todo devoto que é fiel a Prabhupada tem uma boa razão para se sentir muito feliz com respeito a sua vida. E especialmente se este devoto está tentando o melhor que pode. Porque se você ainda é fiel a Prabhupada após tudo que já aconteceu, e você está fazendo o melhor que pode, e o resultado de você fazer o melhor que pode não é de seu interesse. Se você realmente faz o melhor que pode e acontece de ser que por fazer isto você é um grande devoto ou que o resultado seja que você não pode ser tão estrito quanto gostaria de ser, ainda assim este é o fruto de seu esforço, e de acordo com o Bhagavad-gita, você não deveria ser apegado a isto.

Então o que penso é que deveríamos ser apegados a fazer o melhor que pudermos. Que deveríamos ser apegados a fazer o melhor que pudermos. E que há uma quantidade saudável de vergonha e se sentir mal a respeito das coisas. Uma quantidade saudável, que não o debilita, que não o paralisa, que não o enfraquece. Que tipo que o anima, faz com que você queira melhorar. Então se qualquer vergonha ou culpa que sentirmos, se não está nos empurrando a melhorar, é uma overdose. É uma overdose. É uma overdose, e então temos de estar apegados a fazermos o melhor que pudermos, e se honestamente fizermos o nosso melhor em plena fé a Prabhupada, isto, há sua própria maneira é perfeito. E temos de simplesmente estarmos felizes a respeito do fato que podemos sequer tentar, que podemos sequer lembrar de Prabhupada. E nós temos de nos sentir entusiasmados que estamos no jogo. Pois todos aqui nesta sala estão no jogo. Ninguém foi posto no banco de reservas. Porque todos aqui ainda estão tentando ser conscientes de Krsna.

Então em parte estou tentando explicar todas estas coisas porque em nossa juventude toda nossa pregação de sannyasi zelosa. Creio que tenho que retificar algo. (risos acanhados) Eu compreendo agora (mais risos acanhados) De qualquer forma. O diabo me fez fazer o que fiz. (mais risos) Na verdade, na verdade era um tipo de situação de emergência. Prabhupada deu sannyasi a pessoas muito jovens e eles ..... bem de qualquer forma vocês tiveram uma versão muito juvenil da filosofia vedica. Mas o fato é, o fato é que este tem que ser um movimento feliz. E cada devoto em particular, especialmente aquele que compreende que Prabhupada é o mais importante representante de Krsna disponível às pessoas deste planeta neste momento. E aqueles que estão determinados a aceitar Prabhupada desta forma, e que estão tentando o melhor que podem. Se você se esforçar tanto que você se exaure, se desencoraja, isto.. você não entendeu bem.

Se você tentar o melhor que pode e for fiel a Prabhupada, há uma verdadeira perfeição em sua vida. E temos de encontrar esta perfeição, e temos de ser felizes sobre esta perfeição porque esta perfeição é a benção de Prabhupada. E não ver esta perfeição em sua própria vida, que você ainda está com Prabhupada e que está tentando o melhor que pode. Não ver esta perfeição é não apreciar a benção de Prabhupada. E se não vermos esta perfeição na vida de cada um de nós. E se não nos sentimos felizes a este respeito. E se não reconhecemos isto como uma benção de Prabhupada. Como vamos ligar o mundo. Como é que vamos fazer com que outras pessoas fiquem excitadas a respeito deste processo.

Tenho certeza que aqueles estão exclusivamente devotados a Prabhupada, que significa que você aceita todos até o ponto que eles aceitem Prabhupada. E você não aceita pessoas em relação ao tanto que elas discordem de Prabhupada. Se esta é a sua posição tenho certeza que você satisfaz os padrões aqui de ananyena eva yogena. Tenho certeza que do ponto de vista de Krsna isto é nada mais: yoga. Isto é porque por entender Prabhupada desta forma, desta forma exclusiva, e por tentar o melhor que pode, isto é yoga.

Tentar o melhor que pode é yoga. É bhakti yoga. E se você tentar o melhor que pode na bhakti yoga, focado em Prabhupada, e não sendo de forma alguma infiel a Prabhupada, então é sobre isto que Krsna está falando. E Ele diz: “Para aquelas pessoas que estão meditando em Mim,” mesmo se você está sempre pensando: ‘Deus, não estou realmente chegando lá’. Isto é uma meditação em Krsna pois pelo menos você reconhece-O . Então mesmo que você diga : ‘Não estou chegando lá’ então você está meditando em ‘lá’. E ‘lá’ é Krsna. E assim você também vence.

E depois Krsna diz: tesam aham samudhartha : “Para eles eu sou,” quero traduzir isto literalmente pois é uma palavra muito interessante que Krsna usa, Prabhupada disse que cada silaba é cheia de significado: sam ud hartha. Hartha é como vocês sabem o agente do substantivo feito pela raiz hri. Hartha significa o que leva embora. Vocês conhecem a palavra Hari, o nome de Krsna Hari pode ser buscado neste verbo que indica o que leva embora. O Senhor que leva embora nosso sofrimento. Então significa levar. E aqui hartha significa aquele que leva, e ud significa para cima, e sam completamente. Então Krsna literalmente diz : “Eu o levanto completamente, o levo para cima” isto é literalmente o que Krsna diz. Eu levo esta pessoas para cima do oceano de, aqui há uma outra palavra interessante que quero explicar, mrtyusamsarasagra , sagra quer dizer oceano, samsara vocês sabem , o ciclo de existência material, mas Krsna chama samsara de samsara da morte. Isto é algo que você poderia fazer notar àqueles que estão na sub cultura gotica.
Mas Krsna, Krsna aqui chama o oceano material de: “a existência mortal.” Do oceano da existência mortal porque leva à morte, culmina em morte. Então Krsna diz que: ‘Rapidamente eu o elevo completamente deste oceano de existência mortal, para aqueles que fixaram suas mentes em Mim.” Então de qualquer forma esta é uma grande vantagem, Krsna vai nos levantar, se simplesmente cooperarmos com Ele.

De qualquer forma acabamos de ouvir o sino. Não. Parece que não há sino. Tudo bem. Então há qualquer pergunta sobre estes pontos. Sim

Devota: Lembro que recentemente você disse algo que me bateu. Você disse: Fiz minha cabeça que serei feliz em consciência de Krsna.

SSHM: Sim eu disse. Acho que todos deveriam. Este movimento. O mundo realmente precisa deste movimento. E este movimento tem de crescer para o mundo. Sem ficar remoendo velhos pontos, como todos nós sabemos, praticamente como todo novo movimento espiritual faz, nós passamos por anos e anos de conflitos internos, e isto e aquilo, que de certa forma prendeu a atenção da maioria das pessoas como um rebite.

Então se você disser nós esquecemos o mundo ou o mundo esqueceu de nós. Bem, talvez nós tenhamos começado isto. Como eu algumas vezes digo, se alguém, fosse um glutão por punição, e de fato estudasse todas as conferências da internet jamais criadas entre os Gaudya Vaisnavas, todas estas conferências, e todo o e-mail, e tudo. Se esta pessoa de fato contasse todas as palavras e analisasse quantas palavras estavam de fato focadas em ajudar os não devotos., e quantas palavras estavam focadas na ‘nossa coisa’ , ‘la cosa nostra’. Então nós temos de nos lembrar do mundo. E temos de nos lembrar de nossa propria perfeição. Temos de nos lembrar nossa própria boa fortuna. Temos de nos lembrar que somos, cada um de nós, tem uma boa fortuna extraordinária. Cada um de nós é extraordinariamente afortunado. Cada um de nós é abençoado. Cada um de nós que está simplesmente tentando tem uma verdadeira perfeição em sua vida.

Quando nos juntamos a este movimento éramos tão gratos, tão eufóricos, sobre o que acontecera conosco que simplesmente saiamos correndo para contar às pessoas. Temos que redescobrir as grandes coisas que Prabhupada está fazendo por nós. E não importa, não importa se por algum padrão ultimo você é um grande devoto ou não, isto não importa. Porque se você está tentando e está servindo Prabhupada isto quer dizer que há algo de muito grandioso sobre sua vida e se você descobrir isto vai querer contar às pessoas sobre isto. Então todos nós realmente temos que, num sentido não sentirmos...,
se você está com Prabhupada, e você está com Prabhupada se você decidir que está. Se você simplesmente decidir que Prabhupada é meu líder. Então você está com Prabhupada, porque você nunca realmente rejeitou ninguém que tomou esta decisão. E se você está com Prabhupada, sem duvida Prabhupada está abençoando você por esta decisão. Se você decidir que o maior representante de Deus para mim é Srila Prabhupada, e que todos os outros eu aceito se e na extensão que eles concordem com Prabhupada, na extensão que estejam seguindo o programa de Prabhupada. Como poderia Prabhupada não ser grato a você por isto. Como poderia Prabhupada não ser tocado por esta decisão que você teve.
Especialmente agora. Mais do que nunca. Quando há tantas, assim chamadas, alternativas ?

Me parece ser que a decisão de simplesmente focar em Prabhupada merece mais credito agora que jamais mereceu. Porque antes, você sabe, só havia um show na cidade, se você quisesse cantar Hare Krsna, só havia um movimento para se fazer isto. Mas precisamente porque aparentemente existem alternativas a decisão de só seguir Prabhupada merece mais crédito do que jamais mereceu. E portanto se esta é sua decisão como poderia Prabhupada não ser mais grato do que jamais foi para com você ? E como poderia sua gratidão não se expressar senão que com bênçãos ? Não importa com o que pareça que está acontecendo externamente em sua vida, as bênçãos estão ali. Temos de descobri-las e ficar extáticos sobre elas e deixar com que este entusiasmo nos carregue para o mundo. Para contar às pessoas sobre a consciência de Krsna.

Porque para ser perfeitamente honesto há muitas pessoas ai fora em outros movimentos que estão fazendo..., que conhecem muito menos a respeito de Deus, que seguem menos princípios, e que estão entusiastas em sair e falar sobre as boas coisas em suas vidas.

Devoto: Como é que estas pessoas que não sabem muito sobre Deus foram muito mais bem sucedidas.

SS HM: Bem sucedidas em que aspecto?

Devoto: ?

SSHM : Bem pegue a América por exemplo. A América materialmente é o país mais bem sucedido no mundo. Mas à aproximadamente 140 anos a América passou por uma guerra civil. E quando passaram por uma guerra civil não estavam fazendo muito mais além disso. Então creio que todos temos que ...não temos que ser como aquele ultimo soldado japonês que foi descoberto a cerca de quinze anos em alguma ilha remota do Pacifico Sul que ainda estava em seu posto. Ele não sabia que a segunda guerra mundial havia acabado. E ele estava cerca de 40 anos atrasado. Literalmente ele esteve lá 40 anos após o término da guerra, ninguém lhe havia contado.

Devoto: Ele estava escondido numa caverna.

SSHM: Então nós não queremos ser assim. A guerra acabou. E sabe os caras bons ganharam. Krsna ferveu o leite. Você sabe. E muito vapor de leite foi levado de uma forma. Mas Krsna fez Suas próprias decisões. Krsna fez Sua própria decisão. E aqui estamos nós todos. Pessoas que depois de tudo pelo qual passamos escolhemos simplesmente ficar com Prabhupada. Então agora, não tenho qualquer duvida, que há verdadeira gloria vindo para este movimento. Assim como após os incêndio florestais periódicos que reforçam o ? da floresta. Para aqueles que conhecem algo sobre florestamento. A floresta de fato se torna mais forte.

E eu não tenho duvida que o resultado de tudo pelo qual passamos nos últimos, sei lá, 15 ou 20 anos, não tenho duvida alguma que após tudo isto a ISKCON irá imergir muito mais poderosa que nunca. Algo que é absolutamente inegável para qualquer pessoa razoável. É que os membros deste movimento estão mais maduros que jamais estiveram. Não sei quanto a vocês mas para mim 53 é um pouco mais maduro que 23. Quero dizer, e eu suspeito que seja o mesmo para todos. Não é que todos já tenham 53. Mas eu suspeito que todos vocês estão experimentando que estão se tornando muito mais maduros.

Então a maturidade deste movimento é sem precedentes. E eu diria a pureza. Porque fomos testados, de formas que nunca fomos testados antes. Tanto em temos de nossos problemas pessoais, quanto coisas externas a nós. E publicidade ruim. Nós nunca fomos tão testados, nunca fomos tão velhos quanto somos agora, nunca tivemos tanta experiência quanta temos agora.

Então a sabedoria coletiva, além de Prabhupada que sempre foi perfeito. Em termos dos seguidores de Prabhupada a sabedoria coletiva, está muito , muito além que qualquer coisa que já tivesse sido. E precisamente devido às assim chamadas alternativas a ISKCON é mais do que nunca uma sociedade voluntária. Assim como quando havia uma lei neste país o exercito era um pouco menos forte e quando se tornou um exercito voluntário se tornou muito melhor.

A ISKCON é agora verdadeiramente uma força voluntária, um movimento espiritual voluntário. As pessoas não estão aqui só porque querem cantar Hare Krsna e desta forma estão presas à ISKCON. As pessoas estão aqui porque escolheram seguir as instruções de Prabhupada. Trabalhar na ISKCON e não se ocupar naquilo que Prabhupada não apreciava muito, a saber : malabarismo de palavras, para explicar porque eles não estão realmente fazendo o que Prabhupada disse mas de fato estão. Então há algo a ser dito a respeito de se ser direto. Então por muitas, muitas razões. E em ultima analise porque, como disse antes, porque creio que as pessoas agora na ISKCON merecem isto, creio que estamos indo em direção a ótimos momentos. Isto já está acontecendo.

Se você viajar ao redor deste país há centros se abrindo, não fechando. As pessoas estão vindo, não indo embora. E como disse há um nível de maturidade sem precedentes e anteriormente inimaginável. Às vezes você sabe, as pessoas ficam como que isoladas.

Por exemplo me lembro de ter lido em uma das principais revistas da América alguns anos atrás que 90% das pessoas sentiam que o país estava ao léu, que havia pedido seus valores, e que realmente precisava voltar a padrões espirituais mais básicos. Que o país estava realmente fora de rumo. E então outros 90% das pessoas acreditavam que pessoalmente eles estavam bem. Em outras palavras; tente juntar estes números.

Similarmente minha experiência em viajar ao redor da ISKCON, por todo o país é que quase todos sentem que ISKCON realmente não pode ser imatura como é, e porque é que eles não podem simplesmente ser mais maduros. E ai você descobre que quase todo mundo é maduro! Você realmente descobre, se viajar por ai, que quase todo mundo é maduro, e quase todo mundo pensa : porque todos os outros não podem ser maduros? Então se juntarmos tudo isto as boas novas são que a coisa está realmente indo bem.

Então em resposta a sua pergunta, é difícil não ser internamente absorto, se não obcecado, e então ficar ocupado com todos os tipos de dores e conflitos crescentes inevitáveis, historicamente inevitáveis, que se abatem sobre todo novo movimento espiritual. Quer seja um movimento de Jesus, olhe o novo testamento, as cartas de Paulo. Se você ler as cartas de Paulo simplesmente como um estudante de historia , o que você descobre é que ele escreve a maioria de suas cartas simplesmente tentando fazer com que as pessoas parem de brigar umas com as outras. Isto e de certa forma interessante. E se você ler o novo testamento, muito dele e simplesmente voltado a fazer com que as pessoas cooperem umas com as outras.

E se você conhece o inicio do movimento Budista, logo após o Senhor Buda, você ira encontrar coisas similares, todos os tipos de desentendimentos e isto absorve muita energia e uma vez que você resolve estas coisas então há um crescimento explosivo. Então de meu ponto de vista as coisas já estão bem resolvidas. Temos que nos mover adiante agora. E não nos tornarmos como aquele pobre sujeito naquela ilha.

Por exemplo algumas pessoas falam sobre uma questão do guru. Vou lhes dizer como eu vejo isto. É muito simples. Toda sociedade civilizada tem professores e estudantes. Nós temos professores e estudantes. Em toda sociedade civilizada os estudantes honram seu professor. Nos honramos nossos professores. Este é o fim da historia.

Se você realmente olhar para .... Prabhupada citou um verso amara jnai hoy .....Por minha ordem se torne um guru. Prabhupada citou isto cerca de 200 vezes. O que sei pela misericórdia daqueles que criaram o programa Folio. Prabhupada citou isto 200 vezes. Em aulas matinais, da tarde, caminhadas, entrevistas à imprensa, conversas de quarto, palestras de chegada, palestras de partida, na África, Europa, Índia, América, Austrália, em toda parte da terra de toda forma concebível Prabhupada citou este verso. E o que é notável é que ele não tinha uma mensagem especial para África ou para a Austrália, ou Nova Iorque, ou Bombay. Não tinha uma mensagem especial para à tarde ou para a manhã ou para as caminhadas ou as conversas de quarto.

Toda vez e em todo lugar ele dizia a mesma coisa. E ele disse 200 vezes! Ele disse : “Vocês todos tem de se tornar gurus.” Prabhupada não estava preocupado que as pessoas fossem gurus, isto é cômico. Se você realmente ler. Eu fiz isto duas vezes, passei por cada citação. Não são só citações. Cada citação pode ter como dois parágrafos. E há duzentas delas. E li todas de fato mais de uma vez. Prabhupada não se preocupava que alguém pudesse se tornar um guru. Prabhupada estava profundamente preocupado que você pudesse não ser um guru.

Prabhupada diz que é irresponsável e mesquinho de sua parte se você não se torna um guru. Tente experimentar esta. E ele diz isto muitas vezes. Ele diz que precisamos de milhões de gurus. Cada homem, mulher e criança precisa ser um guru. Nós temos que ser um movimento intensivo de gurus. Algumas pessoas ficam muito preocupadas sobre que tipo de guru você é. Siksha, diksha, siksa (risos) , esta é uma piada para as pessoas que sabem. De qualquer forma siksha guru ou diksha guru, ou varta pradakshana guru, algumas pessoas ficam muito preocupadas com respeito a que você pode ser este tipo de guru mas não aquele.

Notavelmente se você ler tudo o que Prabhupada disse sobre guru, os milhares e dezenas e centenas de milhares de palavras que ele disse sobre isto, ele demonstra absolutamente nenhum interesse neste tópico. Então se alguma outra pessoa está muito interessada neste tópico. Eles não estão representando Prabhupada que demonstrou ter nenhum interesse neste tópico. Realmente o único interesse que Prabhupada demonstrou a respeito deste tópico foi quando ele estava falando com alguma pessoa de negócios indiana. De fato um homem de negocios em Nairobi. Onde ele diz : “Vocês deveriam ser gurus mas devido aos costumes sociais da Índia e porque vocês estão casados e ainda fazendo negócios, você tem escritórios e empregos, é mais apropriado que vocês não sejam diksha guru mas um siksha guru porque vocês não são sannyasis.

E você pode ler todas os duzentos lugares onde Prabhupada fala extensivamente sobre se tornar um guru, e demonstra nenhum interesse, e de fato até sai do caminho para dizer que ele não se importa sobre isto, ele diz que não importa que tipo de guru você se torna. Basicamente o que for prático. Ele tem esta brilhante, incisiva, sem abobrinha, não é o cigarro Winston, isto é Srila Prabhupada.

Prabhupada diz que se você pode salvar sua família então seja um guru para sua família, ou seja um guru para sua rua, ou vizinhança, ou comunidade, ou sua cidade, seu estado o país, o planeta todo. Ele disse : simplesmente faça o que você pode. A posição de Prabhupada é : faça o que você pode. E ele diz: seja um vata pradarkashana guru, mostre o caminho para alguém. Introduza alguém para a vida espiritual. Lhe dê todos os ensinamentos, lhes dê iniciação, faça o que você pode. E faça o quanto puder e você tem que ser um guru. Isto é Prabhupada sobre a questão do guru ! E desafio qualquer um a provar que isto não é Prabhupada sobre a questão do guru. Quero dizer desafio qualquer um no planeta terra a ficar de pé e me mostrar que esta não é a posição de Prabhupada com respeito à questão do guru. Para Prabhupada a verdade era aquilo que funcionava. E há muito que está funcionando agora neste movimento. E se há algo que não funciona vamos consertar. Mas se não está quebrado não conserte.

Então o que nós temos de fazer agora, na minha humilde opinião, é simplesmente mover adiante. E trazer a Prabhupada os troféus que ele quer. Temos que nos mover adiante e fazer com que este movimento seja relevante de novo. Temos que restabelecer o movimento. Prabhupada disse: se você não pode aumentar pelo menos mantenha o que eu lhes dei. Aqui está o que Prabhupada nos deu: um movimento Hare Krsna espiritual importante, relevante, de alta classe, que faz uma diferença no mundo.

Prabhupada nos deu um movimento que era famoso neste país. Que importava às pessoas. Um movimento que tinha que ser consultado quando as opiniões eram ouvidas sobre questões importantes. Um poderoso e relevante movimento público. Isto é o que Prabhupada nos deu. E mesmo que vamos só manter nossa herança e não desperdiça-la, temos que restaurar isto. É uma questão de honra. Que temos que restaurar para Prabhupada o que ele nos deu. E não podemos fazer isto se somos auto-obcecados, e simplesmente desperdiçarmos o resto de nossas vidas falando de nós mesmos para nós mesmos. Então se nos lembramos do mundo, juro por Deus que o mundo vai se lembrar de nós. E é isto que temos que fazer.

Bem de qualquer forma muito obrigado. Creio que vou terminar aqui. Srila Prabhupada ki jay.

Deus está em todo lugar

Bhagavad-gitã Cap.7 Verso 14 por Sua Santidade Srila Acharyadeva 2003

Krsna diz:
daivi hy esã guna-mayi
mama mãyã duratyayã
mam eva ye prapadyante
mãyãm etãm taranti te

Interessante que aqui, há, primeiro a tradução:

Esta Minha energia divina, que consiste nos três modos da natureza material, é difícil de ser suplantada. Mas aqueles que se rendem a Mim podem facilmente transpôla.

A primeira palavra nesse verso é daivi, divina, daivi ou daiva. Daiva masculino, daivi feminino. Essas palavras são derivadas da palavra deva, Deus. Esse daivi significa literalmente, divina, e Krsna diz que daivi hy esã guna-mayi , certamente divina, na realidade divina. esã ,essa, é igual o sânscrito em português esã, essa. daivi hy esã guna-mayi

mama mãyã , esta mãyã, de mim, esta mãyã minha, que é guna-mayi, que consiste, é constituída de gunas, modos naturais, modos materiais, qualidades materiais. E mãyã, minha mãyã que também duratyayã, difícil, duro de, literalmente duro de ir além, duro de ir além de, duratyayã.

Então a idéia aqui que devemos ir além de mãyã, que devemos superar mãyã. Então um ponto interessante que Krsna está dizendo que devemos superar, transcender, algo divino ! Que devemos transcender algo divino !
Krsna também descreve sobre a energia material dizendo que

bhumir apo ´nalo vãyuh
kham mano buddhir eva ca
ahankãra itiyam me
bhinnã prakrtir astadhã

neste mesmo capítulo, terra, água, fogo, ar, éter, mente, inteligência, ego-falso, todos eles juntos, esses oito elementos juntos constituem minha energia material separada.

Outra vez Krsna diz: mama . aqui, há, me, me como em português significa de mim. E no verso quatorze Krsna diz:

daivi hy esã guna-mayi
mama mãyã duratyayã

esta mãyã minha, esta minha mãyã, certamente divina, constituída das qualidades materiais é difícil de superar mam eva ye prapadyante aqueles que se rendem a Mim, só a Mim, a Mim só, há, eva significa só. mam eva ye prapadyante/

mãyãm etãm taranti te superam, cruzam, além desta mãyã. Isso é interessante porque falando em termos antológicos, falando de coisas concretas, coisas que realmente existem, como substâncias no mundo, que cada substância, cada elemento concreto, cada fato antológico nesse sentido é positivo, é bom, não existe uma energia ruim. Krsna disse inferior, no sentido que o número 10 é inferior ao número 20 num sentido de quantidade, porém, 10 não é um número ruim no sentido moral ou número digamos de qualidade negativa moral, se não simplesmente menos que 20. E assim mesmo Krsna explica Bhagavad-gitã que Sua energia material é menos que Sua energia espiritual. Que a matéria morta é menos que a energia viva, as entidades vivas, nós, a gente.

Então assim mesmo, tudo que existe é bom, porém, nós abusamos das coisas boas. Esse abuso, essa exploração de coisas boas é ruim. Em termos morais, maldade, isso é maldade. As coisas que existem não são ruins, porém o uso que aplicamos é ruim, é maldade.

daivi hy esã guna-mayi
mama mãyã duratyayã
mam eva ye prapadyante e também a palavra render-se falando como gaúcho um pouco. A palavra prapadyante que é sempre traduzida como render-se, interessante porque literalmente a palavra significa ir pra frente, pra frente, nesse sentido que ... então prapadyante significa go for, em inglês seria, avançar em direção á, ir em direção á. Então a noção de rendição, uma noção dinâmica, ativa, não é simplesmente um estado passivo que paro de me importar, paro de tentar, paro de fazer qualquer coisa e me rendo, não exatamente assim se não, não é um estado de passividade absoluta, se não um estado dinâmico, positivo de ir em direção a Krsna, de se aproximar a Krsna.

Então falar render-se a Krsna significa se aproximar de Krsna, se aproximar de Krsna, buscar Krsna em todas as coisas. Porque se falamos de nos aproximar de Krsna a pergunta lógica é. E onde é Krsna ? onde é Krsna ? se meu dever é me aproximar de Krsna e onde é Krsna ?

Krsna explica, está em toda parte, Krsna está no coração. Então essa atividade dinâmica de buscar a Krsna em toda atividade, e buscar o verdadeiro Krsna, buscar o Krsna que é o Amo, Senhor, nosso líder. Buscar o verdadeiro Krsna que tem o poder e o talento e a capacidade de nos guiar, de nos mandar, de nos instruir. Esse Krsna verdadeiro é o Isvara o Senhor. Então buscar Krsna o verdadeiro Senhor Supremo em toda atividade, em toda substância, em todo momento, buscar a Krsna é rendição, literalmente.

mam eva ye prapadyante
mãyãm etãm taranti te

Qualquer pergunta sobre isso ? (ninguém fez perguntas)

Então até logo pessoal.

Torne-se um mestre espiritual (guru)
Por exemplo, algumas pessoas falam sobre uma questão do guru. Vou lhes dizercomo eu vejo isto. É muito simples. Toda sociedade civilizada temprofessores e estudantes. Nós temos professores e estudantes. Em todasociedade civilizada os estudantes honram seu professor. Nos honramos nossosprofessores. Este é o fim da historia.Prabhupada citou um verso amara ajnaya guru*, "...por minha ordem se torneum guru". Prabhupada citou isto cerca de 200 vezes. O que sei pelamisericórdia daqueles que criaram o programa Folio. Prabhupada citou isto200 vezes. Em aulas matinais, da tarde, caminhadas, entrevistas à imprensa,conversas de quarto, palestras de chegada, palestras de partida, na África,Europa, Índia, América, Austrália, em toda parte da terra de toda formaconcebível Prabhupada citou este verso. E o que é notável é que ele nãotinha uma mensagem especial para África ou para a Austrália, ou Nova Iorque,ou Bombay. Não tinha uma mensagem especial para a tarde ou para a manhã oupara as caminhadas ou as conversas de quarto. Toda vez e em todo lugar eledizia a mesma coisa. E ele disse 200 vezes! Ele disse: "Vocês todos tem dese tornar gurus." Prabhupada não estava preocupado que as pessoas fossemgurus - isto é cômico. Se você realmente ler. Eu fiz isto duas vezes, passeipor cada citação. Não são só citações. Cada citação pode ter como doisparágrafos. E há duzentas delas. E li todas de fato mais de uma vez.Prabhupada não se preocupava que alguém pudesse se tornar um guru.Prabhupada estava profundamente preocupado que você pudesse não ser um guru!Prabhupada diz que é irresponsável e mesquinho de sua parte se você não setorna um guru. Tente experimentar esta. E ele diz isto muitas vezes. Elediz que precisamos de milhões de gurus. Cada homem, mulher e criança precisaser um guru. Nós temos que ser um movimento intensivo de gurus. Algumaspessoas ficam muito preocupadas sobre que tipo de guru você é. Siksha,diksha, siksa (risos), esta é uma piada para as pessoas que sabem. Dequalquer forma siksha guru ou diksha guru, ou varta pradakshana guru,algumas pessoas ficam muito preocupadas com respeito a que você pode sereste tipo de guru, mas não aquele.Notavelmente se você ler tudo o que Prabhupada disse sobre guru, os milharese dezenas e centenas de milhares de palavras que ele disse sobre isto, eledemonstra absolutamente nenhum interesse neste tópico. Então se alguma outrapessoa está muito interessada neste tópico, ele não estão representandoPrabhupada que demonstrou ter nenhum interesse neste tópico. Realmente oúnico interesse que Prabhupada demonstrou a respeito deste tópico foi quandoele estava falando com alguma pessoa de negócios indiana. De fato um homemde negocios em Nairobi. Onde ele diz: "Vocês deveriam ser gurus, mas devidoaos costumes sociais da Índia e porque vocês estão casados e ainda fazendonegócios, você tem escritórios e empregos, é mais apropriado que vocês nãosejam diksha guru, mas um siksha guru porque vocês não são sannyasis".E você pode ler todos os duzentos lugares onde Prabhupada falaextensivamente sobre se tornar um guru, e demonstra nenhum interesse, e defato até se preocupa em dizer que ele não se importa sobre isto, ele diz quenão importa que tipo de guru você se torna. Basicamente o que for prático.Prabhupada diz que se você pode salvar sua família então seja um guru parasua família, ou seja um guru para sua rua, ou vizinhança, ou comunidade, ousua cidade, seu estado, o país, o planeta todo. Ele disse: simplesmente façao que você pode. A posição de Prabhupada é: faça o que você pode. E ele diz:seja um patha-pradarsaka-guru, mostre o caminho para alguém. Introduzaalguém para a vida espiritual. Lhe dê todos os ensinamentos, lhes dêiniciação, faça o que você pode. E faça o quanto puder e você tem que ser umguru. Isto é Prabhupada sobre a questão do guru! E desafio qualquer um aprovar que isto não é Prabhupada sobre a questão do guru. Quero dizerdesafio qualquer um no planeta terra a ficar de pé e me mostrar que esta nãoé a posição de Prabhupada com respeito à questão do guru. Para Prabhupada averdade era aquilo que funcionava. E há muito que está funcionando agoraneste movimento. E se há algo que não funciona vamos consertar. Mas se nãoestá quebrado não conserte. Então o que nós temos de fazer agora, na minhahumilde opinião, é simplesmente mover adiante. E trazer a Prabhupada ostroféus que ele quer. Temos que nos mover adiante e fazer com que estemovimento seja relevante de novo. Temos que restabelecer o movimento.Prabhupada disse: se você não pode aumentar pelo menos mantenha o que eulhes dei. Aqui está o que Prabhupada nos deu: um movimento Hare Krsnaespiritual importante, relevante, de alta classe, que faz uma diferença nomundo. Prabhupada nos deu um movimento que era famoso neste país. Queimportava às pessoas. Um movimento que tinha que ser consultado quando asopiniões eram ouvidas sobre questões importantes. Um poderoso e relevantemovimento público. Isto é o que Prabhupada nos deu. E mesmo que vamos sómanter nossa herança e não desperdiçá-la, temos que restaurar isto. É umaquestão de honra. Que temos que restaurar para Prabhupada o que ele nos deu.E não podemos fazer isto se somos auto obcecados, e simplesmentedesperdiçarmos o resto de nossas vidas falando de nós mesmos para nósmesmos. Então se nos lembramos do mundo, juro por Deus que o mundo vai selembrar de nós. E é isto que temos que fazer.Bem de qualquer forma muito obrigado.
Creio que vou terminar aqui. SrilaPrabhupada ki jay.